Caraíva, pura natureza

A FUNAI em Caraíva...(3)
O Grupo Técnico da FUNAI GT-528/06

Caraíva, o mais antigo vilarejo do Brasil, nunca foi incluido na Terra Indígena Barra Velha. O mapa FUNAI de 1982 mostra o limite norte da Área indígena Pataxó (demarcado pela FUNAI em 1980), ao sul do vilarejo de Caraíva :


click para ampliar

O ultimo mapa oficial da Terra Indígena Barra Velha (Mapa FUNAI - 27.09.1999) continua a indicar o limite norte da Terra Indígena Barra Velha como demarcado pela FUNAI em 1980, ao sul do vilarejo de  Caraíva :


click para ampliar
      click para o mapa integral


Apesar desta documentação, que mostra que o vilarejo de Caraíva nunca foi incluido na Terra Indigena Barra Velha, o Grupo Técnico da FUNAI - GT 528/06 - coordenado pela antropóloga Leila Burger Sotto Maior (portaria n° 528 do dia 4 de maio 2006), que chegou na vila no dia 8 de junho 2006 com a intenção de proceder a anexação de Caraíva à Terra Indígena Barra Velha e deportação dos moradores do vilarejo, tentou distribuir aos moradores de Caraíva no dia 12 de junho de 2006, um questionário inadequado de 6 paginas com a seguinte questão n° 21 (p. 2): “POSSUI BENFEITORIAS EM OUTRA(S) TERRA INDÍGENA ?” :



Uma resposta positiva ou negativa de um morador de Caraíva a esta questão da FUNAI valeria como reconhecimento implícito de que Caraíva faz parte da Terra Indígena Barra Velha (o que não coresponde a realidade)...

A comunidade de Caraíva não aceitou responder a este questionário nem que o Grupo Técnico da FUNAI fizesse em Caraíva um levantamento genético-racial, discriminando os moradores, com o objetivo de efetuar a deportação da população de Caraíva.

 



A antropóloga Leila Burger Sotto Maior
ja assinou no dia 18 de agosto de 2005 – com Giovana Acacia Tempesta - o "Relatório de Fundamentação Antropológica - GT de Revisão de Limites da TI Barra Velha e Identificação de Corumbauzinho".

Este relatório de 53 paginas consagra apenas 4 linhas (pagina 49) à Caraiva :


"vilas de Limoiero e Caraíva : atualmente, varios Pataxó moram em Caraiva, como Xuré, filho de Tururim. O dificil acesso à vila de Caraiva, exclusivamente por mar, pelo rio Caraiva ou pelo interior da TI Barra Velha, limita suas possibilidades de crescimento. A infra-estrutura turística existente na vila de Caraíva nao é vultosa".




Estas 4 linhas sobre Caraíva escritas em agosto de 2005 merecem 4 observações :

   1. Limoiero é uma fazenda...
   2. Xuré, filho de Tururim, não habita o vilarejo de Caraíva...
   3. Três estradas chegam a Caraíva desde 1980 : as estradas de Monte-Pascoal, Itabela e Porto Seguro...
   4. Caraiva possui 40 pousadas, bares e restaurantes ; “Caraiva” no GOOGLE suscita 117 000 paginas internet...
 




O mapa FUNAI "Terra Indigena Barra Velha"  do dia 2 de dezembro de 2005 mostra as casas da aldeia de Barra Velha mais não mostra as casas de Caraiva. O mapa faz aparecer Caraiva incluído na Terra Indígena Barra Velha (zona verde claro) e mostra a vila de "Boa Vista" ao norte da barra do rio Caraiva, com casas na beira do mar e do rio :


   


















Na realidade, o vilarejo de Caraiva - que nunca fez parte da Terra
Indígena Barra Velha - tem 300 casas :


Caraíva (300 casas) vista aérea 2006



"Boa Vista" é desconhecida dos moradores de Caraiva... As casas na beira do mar, ao norte da barra de Caraíva, nao existem :


Caraíva, barra do rio Caraíva, vista aérea 2006. Click para ampliar


O "Mapa fundiário da ocupações dos não-índios na TI Barra Velha/Corumbauzino - GT 528/06, do Grupo Técnico da FUNAI coordenado pela antropóloga Leila Burger Sotto Maior, mostra Caraíva como uma ocupação de não-índios na Terra Indígena Barra Velha e não mostra as (300) casas de Caraíva, somente o cemeteiro ("Cem")...  :


 
Casas de Bara Velha, cemeteiro de Caraiva (Cem) e
"Boa Vista", desconhecida dos moradores de
Caraiva


Continua e fim... A FUNAI em Caraiva... (4)